A inserção da literatura na educação infantil

Como fica o papel dos pais e professores no despertar da paixão pela leituraLívia Pinho

 

Os livros nunca alcançaram, no Brasil, largas faixas da população, tendo sido sempre privilégio de pequenos e restritos grupos sociais. O surgimento da indústria cultural, em meados do século XX, dificultou ainda mais a difusão do livro e da leitura, levando o país a mergulhar de cabeça na cultura do audiovisual, que assume, no presente século, proporções ainda maiores.

De acordo com a segunda edição da pesquisa “Retratos da leitura do Brasil”, realizada pelo Ministério da Cultura e parcerias entre os meses de novembro e dezembro de 2007 com a participação de aproximadamente cinco mil pessoas em mais de trezentos municípios do país, o brasileiro lê, em média, 4,7 livros por ano, índice ainda muito baixo comparado a países como França, Estados Unidos e Inglaterra. Paradoxalmente, o Brasil é o oitavo produtor de livros do mundo, movimentando anualmente mais de doze mil títulos.

Para modificar esse panorama, o gosto pela leitura deve ser cultivado desde a infância, à medida que a pessoa cresce e forma sua personalidade, a fim de que forme-se também como leitora. A iniciação à leitura deve levar ao prazer. Porém, para que esse prazer seja experimentado, é necessário que entrem em cena pais e professores, cooperando no incentivo à busca pelas palavras, à curiosidade quanto ao mundo. Mundo este que nos cerca de informações desde que nascemos até a nossa morte.

“O mundo da leitura cerca a criança desde que ela nasce. O mundo é imagético, é feito de palavras. O papel dos pais e professores é aguçar o olhar das crianças para estas informações”, afirma Simone Araújo, coordenadora do Colégio Lobo Torres e professora de português para as séries do ensino fundamental

A leitura ainda é tida como uma obrigação na escola, sendo vista pelos alunos, muitas vezes, como um fardo, contribuindo para o seu desinteresse, que é prejudicial para a formação da criança como leitora. O professor deve evitar ao máximo este desencantamento, buscando contagiar seus alunos, passando para eles o prazer que constitui a leitura de um livro.

O papel dos pais não é muito diferente. Não pode ser legada somente à escola a iniciação das crianças à literatura. “Pouquíssimos pais dão livros de presente para os filhos e não mostram a eles o prazer do mundo das palavras”, afirma Simone. Sem que haja, em casa, um incentivo maior, fica difícil para a escola desempenhar a sua parte.

A criança busca sempre seguir os modelos de conduta das pessoas que admira, visando agradá-las com suas atitudes. Tendo consciência disso, pais e professores devem instigá-las ao máximo, mexer com seu imaginário através da literatura. Devem levar as crianças ao vício salutar da leitura constante.

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