PESQUISA REVELA QUE METADE DA POPULAÇÃO NÃO GOSTA DE LER

Dados do Instituto Pró-Livro mostram que brasileiros preferem a televisão

Daniele Barbosa

Cerca de 77 milhões de brasileiros, o equivalente a 40% da população, não gostam de ler. Esse é o resultado da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil promovida pelo Instituto Pró-Leitura, divulgada esse mês. A pesquisa revela ainda que ler é a última opção e assistir televisão a primeira entre atividades como escutar música e descansar. Em entrevista ao INTERCAM, o filósofo e professor universitário Jorge Lucio Campos falou sobre o desinteresse pela leitura – incluindo o papel da internet – e como o cultivo desse hábito pode melhorar a convivência em sociedade.

Segundo Jorge Lucio a imagem jamais deve substituir o texto, tendência que a pesquisa indica: “Discordo do ditado que assevera ser uma imagem mais valiosa, ou válida do que mil palavras. Textos e imagens não se prestam a se substituírem e sim a se complementarem”, afirma. “A leitura do texto é especialmente importante para a integração simbólica, uma vez que permite que, minimamente, assimilemos as regras de funcionamento e a lógica de pensamento do grupo a que pertencemos.”

 

O filósofo acredita que a falta da leitura pode acentuar ainda mais em uma pessoa o descaso pelo pensar. Segundo ele, essa ausência de reflexão, muitas vezes por impaciência ou falta de tempo, é utilizada pelas massas, “em nome dos que a manipulam a seu bel-prazer”, como a causa de uma crise. Jorge Lucio declara que os relacionamentos só teriam a se beneficiar caso os brasileiros lessem mais: “Hoje, o que os textos, principalmente, os livros, mais fazem, é circularem à nossa volta, à espera de uma atitude que, tragicamente, insistimos em não tomar. Certamente, lendo, pelo fato de ficarem informadas, as pessoas entenderiam e assimilariam melhor as regras do convívio e as enormes vantagens por elas proporcionadas.”

 

Sobre a internet como fator positivo ou negativo para o cultivo do hábito de ler, ele explica que o problema não é a interatividade e sim quem a utiliza. De acordo com Jorge Lucio a internet possibilita um acesso fácil e aberto às informações nunca visto: “Creio que, em breve, ela conseguirá interferir, definitivamente, em nossos pressupostos civilizacionais. Será preciso, é claro, que um número maior de pessoas possa usufruir de seus benefícios e que haja uma preparação adequada para tanto”, explica.

 

Apesar de sua importância, o ato de ler e o que ele implica na sociedade, para o filósofo, ainda que essencial, seria apenas uma etapa de todo um processo que necessita de muito mais: “Para enfrentar e resolver os enormes problemas que flagelam, desde os tempos de colônia, nosso país, carecemos, além de informação, de conscientização, disposição e postura. Isso passa pelo hábito da leitura, mas antes pelo da educação. Passa, sobretudo, por nós mesmos. Ler no Brasil há muito se tornou uma necessidade política.”

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