Bossa para todos

Contagiando o mundo com sua musicalidade

Paula Corrêa

A Bossa-Nova é um patrimônio dos brasileiros. Completa 50 anos nesse ano sendo prestigiada com orgulho pela sua trajetória. Conhecida por alguns como uma batida sem graça, ou até mesmo por música a antiquada, e por outros, como revolução musical, adorada e contemplada, ela continua encantando novos intérpretes. Mesmo dividindo opiniões, a Bossa-Nova continua sucesso no Brasil e em outros continentes.  

O início dessa grande trajetória começa em 1960. Um grupo de jovens músicos, procurando por uma identidade musical, cria a Bossa-Nova, transmitindo em forma de música situações diárias e as dores dos amores perdidos. Seu ritmo tornou-se uma junção de estilos como o samba, samba-canção, bolero e jazz.  

Em 1962, acontece a noite de Bossa-Nova no Carnegie Hall, em Nova York. Patrocinado pela parceria da gravadora Áudio Fidelity com o Ministério Brasileiro das Relações Exteriores. A iniciativa foi do presidente da gravadora, Sydney Fry. Ele foi ao Brasil convidar músicos para tocarem no concerto, tendo como principal idéia gravar um disco (long play) desse evento. Assim, o ministério interessado pelo projeto, custeia a ida dos músicos para Nova York. Esse foi o primeiro evento da Bossa-Nova no exterior. Alguns dos músicos que se apresentaram: Tom Jobim, João Gilberto, Carlos Lyra, Roberto Menescal, os grupos de Sergio Mendes e Oscar Castro Neves, Agostinho dos Santos, Luís Bonfá e Milton Banana. 

O show foi transmitido ao vivo para Brasil, pela rádio Bandeirantes (SP) tendo como radialista Walter Silva. O concerto sofreu algumas críticas.  

Carlos Lyra deu um depoimento para BBC, dizendo que o show foi uma grande confusão, onde os músicos não tinham retorno. Relatou que propôs a Tom Jobim, que fossem embora daquela confusão. Mas Jobim respondeu ironicamente que eles tinham cadeira elétrica e por isso seria perigoso. Lyra ainda comenta que a preocupação do Sydney Fry, era somente de produzir um disco e vender, e não de fazer uma apresentação legítima da Bossa-Nova para os americanos. 

No mesmo ano, dois shows aconteceram no Village Gate de Nova York, onde alguns cantores brasileiros se apresentaram e puderam ser ouvidos claramente. Um sucesso. Foi a partir desse ano turbulento que as portas se abriram definitivamente para a Bossa-Nova no exterior. 

Em meados dos anos 60, a Bossa pôde ser ouvida nas rádios, comerciais, e até nos cinemas americanos. O Show Bis americano faturava com a Bossa-Nova e com os cantores brasileiros que gravaram nos Estados Unidos. Até Elvis Presley se rendeu ao novo modelo no filme Fantasia em Acapulco (Fantasy in Acapulco). Em 1967 houve um marco para a Bossa-Nova, Frank Sinatra grava um disco com as músicas de Tom Jobim, popularizando ainda mais o estilo musical. 

A pergunta que surge: A Bossa influenciou o Jazz, ou foi o Jazz que influenciou a Bossa? Alguns músicos do Jazz chegam a dizer que a Bossa foi fundamental na formação musical pela sua riqueza de arranjos e melodias. No exterior o sucesso é tão grande que, por exemplo, a cantora Astrud Gilberto é mais conhecida no exterior que no Brasil, e ela por sinal, nunca gravou em seu país. 

Saindo um pouco dos anos 60 e voltando para 2008, percebe-se como foi importante para o país a idéia de um grupo de jovens criarem um novo estilo que faria parte da cultura musical do Brasil. Músicas que foram compostas há mais de 40 anos e que continuam fazendo sucesso.

No final do século passado, na Europa e Japão principalmente, começou um movimento de uma música mais dançante ligada à Bossa-Nova.

Em 2005, a música “Garota de Ipanema” de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, foi eleita uma das 50 grandes obras musicais da humanidade pela Biblioteca do Congresso Americano. 

 

Por isso e muito mais, Parabéns a Nossa Bossa-Nova e que venham mais 50 anos.

 

3 respostas para

  1. Iveli disse:

    A Bossa Nova é rica em melodia, partindo dessa idéia, acredito que teve, não uma influência, mas sim um “algo a mais” no Jazz.
    Parabéns Paula pelo texto.

  2. Isa Mangelli disse:

    Penso que tanto uma quanto a outra se influenciaram. A Bossa Nova influenciou o Jazz, tanto quanto o Jazz também foi influenciado pela Bossa. Lendo este teu texto Paula, me veio a mente: O que seria da Música Popular Brasileira sem a Bossa Nova? E a resposta ainda não me surgiu. E talvez não há quem responda. Já é parte enrraizada da nossa cultural musical. E agrada aos nossos ouvidos, tem a sua própria identidade, brasileiríssima e com o nosso jeitinho brasileiro de ser. E isso me encanta. Viva a Bossa! E concerteza que venham mais 50 anos!
    Parabéns Paulinha pelo texto, ficou nota 10! Apreciei e degustei leteráriamente bastante.. Rs.
    Beijos e saudades de você guria.
    Paz e Luz.

    Isa Mangelli

  3. Ruth Mara disse:

    Muito informativo esse texto. Parabéns!!Foi claro, sem rodeios e com propriedade de conhecimento!

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: